sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

12 POINTS | Festival Internacional de Jazz | Casa da Música 2012


Desde a sua primeira edição, em 2007, o festival 12 Points tem crescido rapidamente e é já um dos destinos de eleição dos jovens músicos europeus na área do jazz. Realiza-se alternadamente em Dublin, a sua sede, e noutras cidades europeias. Em 2012, é no Porto que os 12 projectos emergentes seleccionados entre centenas de candidaturas encontram a oportunidade de se apresentarem perante o público e uma elite de programadores de jazz internacionais. A diversidade impera, desde os grupos com raízes firmes na tradição do jazz a outros vocacionados para as sonoridades mais experimentais.(Fonte: Casa da Música)

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Poema à boca fechada


Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.

(José Saramago)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Liberdade


Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.

(Sophia de Mello Breyner Andresen)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Comemora-se este ano os 200 anos do nascimento de CHARLES DICKENS


"É o mais conhecido e mundialmente lido dos escritores ingleses cujas comemorações do bicentenário do nascimento (7 de Fevereiro de 1812) se anunciam. Resgatou para dentro da literatura o "pior dos tempos" da era vitoriana... o lado sórdido do império, o underworld londrino. A Londres dos ratos dos porões, do Tamisa fétido, dos decrépitos asilos para órfãos, dos obscuros antros fabris onde penavam operários famélicos, das sombras dos becos que abrigavam o sustento de carteiristas. [...] Ao mostrar esta realidade, o escritor conquistou a burguesia que consumia as suas obras e acorria às célebres matinés e soirés de leituras públicas, autênticas tournés pelo Reino Unido e EUA que tornaram Dickens numa espécie de artista pop do século XIX...". Por ANA MARGARIDA DE CARVALHO - JORNAL DE LETRAS

Obras mais emblemáticas: "Os Cadernos de Picwick" (1836) e "Oliver Twist" (1837-1839)

Três museus portugueses candidatos ao Prémio de Museu Europeu do Ano


(Imagem: Museu do Côa)
O European Museum Forum é uma organização transnacional ligada ao Conselho da Europa, sem fins lucrativos e que há 35 anos se dedica a melhorar a qualidade pública dos museus europeus.
O Prémio de Museu Europeu do Ano é o principal e o mais antigo dos galardões atribuídos pelo EMF e também o mais prestigiado na Europa, na área dos museus.
Foi criado em 1977 pelo Conselho da Europa, com o objectivo de “reconhecer a excelência na cena museológica europeia e promover processos inovadores num universo museológico que, na altura, concentrava ainda a sua actividade na gestão das colecções e não no uso das mesmas em benefício da sociedade”.
É anualmente atribuído ao museu que mais público atraiu e que mais satisfez os seus visitantes, ao criar um ambiente único, proporcionar uma apresentação e interpretação imaginativas e uma abordagem criativa à educação e à responsabilidade social.
Entre um total de 46 candidatos, figuram três museus portugueses, o Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos (Faial), o Hotel-Museu do Convento de São Paulo (Redondo) e o Museu do Côa (Vila Nova de Foz Côa)
(Fonte: Jornal Público)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Liberdade


Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.

O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa